quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Reconhecimento, valorização e promoção no serviço público.


Por diversas vezes ouvi críticas ao serviço público e tenho que confessar ter eu mesmo as feito em alguns momentos, principalmente quando me vi diante de dificuldades provocadas por mau atendimento ou burocracia excessiva.

No discurso médio, mesmo entre os gestores, esta culpa é atribuída rigorosamente ao funcionário público, ao servidor. Custava-me crer que o mesmo indivíduo capaz na iniciativa privada se tornasse, pelos discursos ouvidos, causa mater da ineficiência do estado. Deveria haver algo mais, era imperioso que houvesse algo, além disso, para explicar essas tão expostas deficiências.

Não bastasse a amarga culpa da ineficiência do serviço público, o servidor ainda vive sob a ofensa moral de ouvir que a solução para isso seria a possibilidade de demissão, que a culpa da ineficiência seria da estabilidade dos estatutários que não quereriam trabalhar sem que o gestor nada pudesse fazer.

Numa análise, ainda que não tão aprofundada, da importância com que as empresas tratam seus recursos humanos é possível observar que esta vai muito além do preenchimento burocrático de controles de faltas e férias vencidas. Há profissionais responsáveis por identificar e reter talentos, por manter motivadas as equipes, por estimular a produtividade. Enfim, um mundo novo ainda não descortinado aos servidores públicos.

Métodos de gerenciamento de recursos humanos típicos da iniciativa privada podem ser adaptados para implantação no setor público com melhora dos níveis de satisfação de todas as partes envolvidas. Os gestores públicos precisam de qualificação e renovação para entender que o método que tentam aplicar, via de regra, se demonstrou falido há décadas e a figura do chefe de departamento, uma releitura do feitor de escravos, há muito foi abolida e substituída por figuras capazes de inspirar os subordinados, por líderes de fato.

Resultados comparáveis em eficiência, qualidade e rapidez aos da iniciativa privada no serviço público são possíveis e devem ser a meta de todo gestor que tem o bem estar de seu povo como horizonte.

Alexandre Buchaul
Cirurgião-dentista
Especialista em Ortodontia
Qualificação em Gestão em Saúde no SUS – TCERJ
Representante Regional do Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas no Estado do Rio de Janeiro (SCDRJ)



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