quinta-feira, 3 de março de 2016

PELEGOS

A primeira vez que ouvi esta palavra, pelego, era ainda criança, foi ouvindo os discos de vinil do cantor e hoje deputado federal Sérgio Reis com a minha, já falecida, avó Dona Élvia, mineira de Guiricema. Na música Saco de Ouro dos compositores Paraíso e José Caetano Erba há uma estrofe como segue:

Do lampião quebrado, só resta o pavio
Pra lembrar o frio eu também guardei
Um pelego branco que perdeu o pêlo
Apesar do zelo com que eu cuidei
Também o cachimbo de canudo longo
Quantos pernilongos com ele espantei
Um estribo esquerdo, que guardei com jeito
Porque o direito na cerca quebrei


A expressão “pelegos” designando sindicatos, que abandonavam suas categorias profissionais e submetiam-se aos interesses dos patrões, fazia referência à peça que, assim como os sindicatos amaciavam os trabalhadores, servia para tornar mais cômoda a montaria. Ainda hoje nos entristece ver órgãos classistas (sindicatos, associações etc) deixarem desamparados aqueles a quem deveriam defender.

A sindicalização dos profissionais é de grande importância na luta por condições adequadas de trabalho e na preservação de direitos conquistados ao longo da história, não raras vezes, a duras penas. Muitos foram perseguidos, difamados e alguns chegaram a ser presos e pagar com a vida seu envolvimento nas disputas sindicais.

Hoje, 29 de fevereiro de 2016,o Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas no Estado do Rio de Janeiro (SCDRJ) realiza Audiência para discussão da Saúde Pública. Este é mais um passo na afirmação da já reconhecida representatividade dos profissionais da categoria e, também, um passo importante na busca pela consolidação do SUS com condições adequadas de trabalho, reconhecimento dos profissionais e qualidade de saúde para a população.

Afinal, lugar de pelego é nos arreios!

Alexandre Buchaul
Cirurgião-dentista
Especialista em Ortodontia
Qualificação em Gestão em Saúde no SUS – TCERJ
Delegado Regional do Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas no Estado do Rio de Janeiro (SCDRJ)



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