terça-feira, 3 de maio de 2016

Quando foi?

Somos tomados de assalto por dados que invadem nossos sentidos aos borbotões e ficamos num transe que obscurece o pensamento. Recebemos e reproduzimos milhões de correntes e frases prontas, como se fossem a essência da verdade absoluta, sem ao menos nos dar a um instante de reflexão, que seja, sobre o objeto a que apoiamos.

Pergunto-me quando foi? Quando foi que tudo isso começou? Quando substituímos a capacidade de pensar e inquirir a nós mesmos por frases de efeito e virais das redes de comunicação.

Assisto estupefato ao surgimento de heróis e vilões instantâneos. Figuras com a consistência de um macarrão, daqueles, que leva apenas três minutos para estar pronto. Descartados e esquecidos tão logo surjam os próximos super-heróis ou inimigos públicos número um. O acirramento de discursos com argumentos únicos e rasos me assusta e novamente me vejo diante da pergunta. Quando foi?

Quando foi que, tomados por uma avalanche de informações, nos tornamos cegos, surdos e insensíveis? Ideias que precisem de mais de um parágrafo para ser desenvolvidas ganharam apelido de “textão”. Especialistas já orientam a produzir vídeos com menos de um minuto, maiores que isso, quase não são assistidos. Não temos tempo para reflexão e, sem pensar, somos incapazes de nos aperceber inseridos em uma realidade semelhante à de um hamster que corre em sua roda, dia após dia, sem jamais sair do lugar.

“Uma imagem vale mais que mil palavras”. Este dito popular tem grande valia quando nos damos a descrever cenários, objetos ou pessoas. Uma fotografia nos diz mais a respeito de uma cena que um texto meramente descritivo. Entretanto, o discorrer sobre ideias e conceitos jamais poderá ser substituído por imagens ou frases de efeito, sob pena de vivermos uma ditadura da estupidez, do discurso raso e do acirramento de rivalidades. Algo semelhante ao que vemos hoje nas redes sociais, ódio, incitação à violência e o surgimento de vilões ou heróis instantâneos.

Nosso destino carece de nossos pensamentos para ser construído. Precisamos pensar, refletir e nos colocar no lugar de dirigentes de nossas próprias decisões. São nossas escolhas que vão determinar o futuro que teremos. Sólido, como alicerces de pedra, ou molenga, como macarrão. É você quem decide!

Alexandre Buchaul
Cirurgião-dentista
Especialista em Ortodontia
Qualificação em Gestão em Saúde no SUS – TCERJ
Delegado Regional do Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas no Estado do Rio de Janeiro (SCDRJ)


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