Assistimos há algum tempo as discussões
da audiência pública da saúde promovida por representantes da assembleia
legislativa em conjunto com a câmara de vereadores. Foi uma grande oportunidade
de discutir o tema onde poderíamos ter observado um debate de nível sem par das
políticas públicas e parcerias para o setor, mas o verbo pretérito não é
ocasional.
Verificamos no transcorrer dos discursos
a tentativa vã de atribuição de culpas sem que as possíveis soluções e
colaborações encontrassem espaço entre dedos em riste e inflamadas acusações.
Cabe lembrar que a gestão do SUS deve
ser única em cada esfera de governo, logo, entende-se que a gestão do sistema
de saúde no âmbito do município cabe ao secretário municipal de saúde. Apesar
disso são comuns os casos onde governos federal e estadual extrapolam suas
atribuições e atuam na execução, direta ou através das organizações sociais,
dos serviços de saúde.
A atuação do governo do Estado do Rio de
Janeiro, por exemplo, nos deu nos últimos dias largos exemplos de como a falta
de planejamento, a incompetência gerencial e a falta de vontade para pactuar a
integração das regiões de saúde podem ser danosas à assistência da população.
O que leva a agirem assim permanece
obscuro, mas, de claro, temos que é roubado dos municípios o direito de
planejar e estruturar adequadamente sua assistência à saúde, quando não podem
integrar aos planos municipais as ações de unidades de saúde que têm suas ações
regidas seja pelo governo federal, seja pelo governo estadual ou ainda quando
têm negados investimentos que à revelia de amparo técnico são direcionados para
atender conchavos político-partidários.
Esforços devem ser direcionados ao
fortalecimento dos instrumentos de gestão do SUS, das conferências regionais e
da integração e cooperação entre as regiões. Os municípios referência em suas
respectivas regiões precisam receber repasses adequados sob pena de
comprometimento de seus próprios orçamentos além do limite sustentável com
colapso de todo o sistema de saúde.
Que os poderes públicos se entendam e a
vaidade de alguns não se torne empecilho à implantação e estruturação completa
de um projeto tão justo e humanitário quanto o do sistema único de saúde.
Alexandre Buchaul
Cirurgião-dentista
Especialista em Ortodontia
Qualificação em Gestão em Saúde no SUS – TCERJ
Representante Regional do Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas no
Estado do Rio de Janeiro (SCDRJ)
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